Faz um tempo que não escrevo. Mas hoje me deu vontade de falar sobre um assunto que muito me perturba. É o preconceito social que se interliga com o racial. Sou filho de negro com muita honra, neto de outro negro que era líder comunitário, estivador e menestrel (Manoel José Cândido Duarte-avô paterno), minha mãe é branca filha de uma aborígene do \Pará, com Português (Sigismundo Ferreira da Silva-avô materno). Tenho um pai que com muita honra sofreu durante a gestação da minha mãe que me veio dar a luz, uma das trágicas eras políticas do Brasil "Os Tempos de Chumbo" a triste "Ditadura Militar", tempos difíceis que se você fosse ou participasse de qualquer ordem associativa ou sindical, eras considerado um subversor, um "comunista". Meu pai era do Sindicato dos "MÚSICOS" a sua única arma era o seu instrumento musical. mesmo assim foi perseguido e preso. Hoje com seus 83 anos de vida conta ainda com toda maestria tudo que passou, amigos que desaparecerão e amigos que se diziam amigos, eram os ditos delatores do regime militar. Porque relato tudo isto!
Veremos agora.
Ando de bicicleta quase todos os dias. Vou trabalhar de bicicleta, estudar, fazer minhas compras, me divertir, quase tudo de bicicleta. Por ser de pele negra, não andar com uma bicicleta "top de linha", nem com roupas de ciclistas (não gosto, sou magro demais), não ter posses (mesmo assim tinha que ser reconhecido pelo povo e não seria um respeito natural e sim obrigatório para não ser recebido com represarias, como tipo: NÃO ELE É FILHO DE UM GRANDÃO AI e coisas parecidas) e gostar de obedecer as leis de trânsito, eu e muitos sofremos todos os tipos de preconceito. Mas o que eu vou falar são dos preconceitos: racial e o social. Não moro em favela, mas respeito muito os que moram nelas. Moro em uma rua de classe média, hoje bastante movimentada. mas por ser negro e andar de bicicleta sou considerado por muitos e até denunciado por uma certa mulher que não erei adentrar em detalhe (nome e onde mora, eu poderia denuncia-la) fui denunciado como assaltante e quando cheguei no meu antigo endereço de trabalho uma viatura me parou e averiguado, como eu estava e sempre estou tranquilo e sigo este provérbio: "QUEM NÃO DEVE NÃO TEME"estou eu a mostrar ao oficial o local onde trabalho: o oficial com bastante respeito para mim: "fizeram uma denúncia agora a pouco que um rapaz trajando vestes assim e com uma bicicleta como a sua vem andando por estes locais", eu calmamente falei: "Senhor: onde agora nos encontramos, em uma esquina do seu lado esquerdo se encontra uma galeria, é onde eu trabalho e que, de segunda-feira a sexta-feira e alguns finais de semana venho sempre. Aqui está a minha agenda onde o senhor vê o endereço que é esta rua e o número do local. Trabalho com um advogado. O trajeto que o senhor me relatou! Realmente o faço todos os dias neste mesmo horários entre 05:00 horas da manhã e 06:00 horas da manhã. Como o senhor pode ver eu faço um "U' saio da rua onde mora a mais de quarenta anos, entro na Avenida Caxangá, sigo subindo no sentido subúrbio e entro nesta rua. O policial olho para mim, logo após olhou para o policial que já ia saindo do carro para fazer uma abordagem mais severa e falou, pode deixar (ele voltou a bater a porta da viatura). Tudo bem. um bom dia". Este, meus amigos um de muitos que já sofri, este foi o mais leve e cordial o outros foram desgastantes e humilhantes. Mas infelizmente continuo vendo cenas chatas, degradantes e horríveis, não só comigo como outros ciclistas de bicicletas humildes, de ciclistas de vestimentas humildes, trabalhadores ou até mesmo ciclistas por obrigação como não tem dinheiro para pagar um coletivo, vai pedalando e quando ele passa em uma rua qualquer que os vejam, olham com um rosto de espanto, desesperadamente pedem para abrir um portão porque...porque é um assaltante, um meliante, um malfeitor que vem ali, e nem sabe eles que também são vítimas de malfeitores, que são agredidos por malfeitores e até também por "benfeitores" que disseram!!! Que ele era um assaltante. Isso pode?! Pode! Isso acontece??? Acontece e muito e aconteceu a uma semana novamente comigo. O nosso problema não é só RACIAL é também SOCIAL.
Amanhã ou na terça, estarei publicando a nova enquete MOBILIDADE - DA REVISTA BICICLETA.
Uma ótima noite.
Grande abraço
Ps.: não sou escritor, nem tampouco jornalista (dar para se notar) então me desculpem os erros de português e concordância verbal, nominal e etc.

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