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domingo, 3 de junho de 2012

MOBILIDADE - QUEM PODE CRITICAR O CICLISTA INFRATOR?

De modo geral, a sociedade ainda não trata a bicicleta como um elemento do trânsito. Entretanto, não apenas a legislação e a ética desaprovam esta mentalidade o próprio comportamento dos ciclistas comprova que eles são legítimos filhos do trânsito brasileiro.

Observando as ruas, vemos ciclistas se comportando inadequadamente trafegando na contramão, avançando sobre pedestres, conduzindo com imprudência  e se descuidando de acessórios de segurança. Não é incomum vê-los transportando crianças de forma imprópria, com carga excessiva, falando ao celular ou estacionando seus veículos em qualquer lugar.

Com efeito, agindo assim, os pedaleiros não apenas aumentam os riscos para si próprios, mas cometem infrações tipificadas no Código de Trânsito Brasileiro e também, talvez o mais ruim, são usados de forma reducionista, como justificativa para explicar tudo que sucede a todos os cilistas em vias públicas.

Agora é preciso perguntar: em que o comportamento dos ciclistas difere do comportamento dos condutores dos demais tipos de veículo?Qual formação ou instruções obtiveram os ciclistas antes ou após começarem a pedalar? Partamos da admissão de que não são todos os motoristas que barbarizam no trânsito - então, o mesmo deve ser reconhecido a respeito dos ciclistas.


Os ciclistas brasileiros aprenderam a andar de bicicleta no trânsito das cidades brasileiras, portanto absorvem o comportamento do condutor brasileiro, que se caracteriza mais pela disputa por espaço (e tempo) do que pela ocupação compartilhada da via pública, mais pela imposição da força e do status dos seus cilindros do que pelo respeito e cuidado com os elementos mais vulneráveis do trânsito. Todos os usuários das vias públicas foram educados na política ainda prevalecente de oferecer infraestrutura para favorecer os veículos motorizados. O trânsito brasileiro ensina que o cidadão de carro tem mas valor do que anda a pé, de bicicleta e de ônibus.


É preciso que os ciclistas tomem mas cuidado nas ruas, obedeçam a sinalização, trafeguem no sentido do tráfego etc - para o próprio bem deles e para contribuir com a moralização do trânsito. Mas mesmo que a totalidade dos ciclistas amanhã de amanhã passe a respeitar todas as regras, isso não vai resolver o problema nem deles nem da mobilidade urbana, pois o sistema viário é desenhado para os motorizados: largura das ruas, entrada de garagens, vagas de estacionamento, sinalização, semáforos etc; e as curtas vias ciclísticas, nas raras cidades onde elas existem, são de má qualidade e desconectadas. Portanto, em algum momento, se não quiser trafegar na contramão nem furar um sinal vermelho, o ciclista só pode contar com o teletransporte. Bicicletários? - onde? Fiscalização de trânsito? - por quem? Punição para os motoristas criminosos? - desde quando?


Os ciclistas brasileiros não mudarão seu comportamento com as fininhas e buzinadas para "ensiná-los", também não mudarão com as péssimas, efêmeras e ocasionais, apesar de dispendiosas, campanhas de TV. Os ciclistas brasileiros mudarão seu estilo quando o trânsito brasileiro mudar, quando a mentalidade do gestor público mudar, quando houver efetiva penalização de todos os infratores, quando a educação viária tornar-se programa continuado visando o respeito aos frágeis.


As principais organizações e iniciativas individuais pró-ciclismo estão atentas a esta questão e possuem orientações voltadas ao comportamento seguro, legal e ético do ciclista no trânsito, como pode ser visto em seus sítios eletrônicos - mas elas não tem força para atingir toda a massa de ciclistas.Além disso, não cabe a tal segmento tapar os buracos do Estado - educar os ciclistas, fiscalizar as transgressões etc. - , e sim exigir, instrumentando-se de necessários conhecimento, que o Estado cumpra sua função.


A critica da transgressão dos ciclistas não pode esquecer que estamos tratando também com crianças e com adultos ´pouco instruídos e que é preciso nomear aqueles que criaram a tragédia do trânsito brasileiro. A autocrítica dos ciclistas não pode ser feita sem a exigência das demais autocríticas: dos motoristas, que pressionam por mais e mais viadutos; dos gestores públicos, que governam para favorecer os negócios das empreiteiras e concessionárias; da mídia, que implanta no imaginário da superioridade dos motorizados.


O que é chamado de "mau comportamento" do ciclista não deixa de ser uma consequência do jeito brasileiro de tratar o trânsito e o sistema viário, o que está intimamente ligado à sua cultura. A sua crítica pode e deve ser feita, mas por aqueles que agem - naquilo que está ao seu alcance de cada um - para a humanização e sustentabilidade da mobilidade urbana. Ou seja, se a crítica não abordar o modelo de sociedade e não contribuir para a sua transformação, não temos mais do que meras reclamações e acusações.

(Soares, André Geraldo. Revista bicicleta. ECCO, ano 02 - ed. 017 - MAIO - 2012, pág. 20.)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Invasão das Bicicletas - Sábado, 05 de maio de 2012


Prezados amigos,

Este evento ocorreu no sábado à tarde, este é só um pequeno vídeo que gravei para ter um documento da chegada dos ciclistas, que deve ter mais de cen integrantes, porque não foi divulgado mais a nossa bicicletada em homenagem a nossa amiga, que veio a falecer em um atropelamento na cidade de São Paulo foi um dos maiores em comparecimento tido isto pelos meios de comunicação televisiva, mais infelizmente esquecido por meios de comunicação escrita de cunho nacional. Vai aqui a minha pequena homenagem aos integrantes da Bicicletada em Recife/PE.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Pedalando Pela Paz - SESC-PE - 2012


É a 8ª edição deste passeio, muito bom e uma ótima organização, o passeio é urbano e tem como conhecimentos os lugares históricos da cidade. Novamente foi as pontes do Recife a nossa "Veneza Brasileira". Como não tenho muito o que falar vou postar um pequeno e mal feita gravação que fiz - não tive condições de gravar, o pára pára era muito grande, tinha muitas crianças e a gente não podia tirar as mãos do guidon, Ai quando houve um pequeno intervalo em uma das pontes fiz esta pequena e mal elaborada gravação.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

MOBILIDADE - Poderia ser eu!

Tá lá o corpo estendido no chão. "Poderia ser eu", é o pensamento inevitável de todo ciclista ao ver uma bicicleta retorcida e, ao lado, sem vida, seu condutor. Depois de uma cena dessas é difícil montar na bicicleta sem uma secura na garganta, sem hesitar a cada esquina, sem se assustar a cada carro que passa. Não se trata de afetação corporativista ou de sentimento de irmandade - é pura e simplesmente uma apercepção, um dar-se conta da própria vulnerabilidade.

Todo o ciclista tem histórias para contar de situações perigosas, de quase-acidentes, de agressões sofridas e, nem todos admitem, de erros cometidos no trânsito. Quanto maior o uso da bicicleta - em distância ou em frequência - maior é o enredo tétrico. Mais que isso, todo ciclista já perdeu algum familiar, amigo ou conhecido vitimado pela violência viária ("acidente" não é um termo verdadeiro para a maioria dos casos), o que é uma forma de admitir que todo ciclista já foi sentimentalmente ferido no trânsito.

Sim, todo mundo já perdeu alguém no trânsito e toda morte é emocionalmente dolorosa para os próximo, seja qual for a causa. Portanto, não podemos aceitar que os cerca de 1.500 ciclistas abatidos anualmente no Brasil sejam considerados mais importantes ou mais comoventes do que os demais cerca de 96% de mortos das outras modalidades (segundo dados do Ministério da Saúde e do Denatran - é preciso ressaltar que trata-se apenas de casos notificados).

Mas é revoltante que as modalidades que são parte da solução para o imbróglio da mobilidade urbana no Brasil sejam as mais vitimadas (e aqui acrescentamos os pedestres, cerca de 9.000 mortos anuais, que representam cerca de 25% do total). Somando ciclistas e pedestres e admitindo falhas nas notificações e nos registros, é seguro afirmar que 1/3 dos seres humanos mortos no trânsito brasileiro não estavam dentro ou sobre veículos motorizados.

Há mais dois dados importantes para compreendermos o quão arriscados é ser ciclista: apesar da frota de bicicletas ser de 65 milhões de unidades (o dobro da frota de automóveis), apenas 7% dos deslocamentos urbanos se dão por meio deste veículo (segundo o Ministério das Cidades), o que, proporcionalmente, aumenta o índice de vítimas que pedalam em relação às demais modalidades.

Ou seja: não é pequena a probabilidade de que aquele corpo ali poderia ser o meu (que escrevo ou que leio este artigo)! Ou, o que pode ser ainda mais terrível, do meu pai, da minha namorada, do meu enteado, do meu bom vizinho, do meu companheiro de cicloaventuras! E se for de um desconhecido meu, será do relacionamento de alguém, que igualmente será afligido pelo medo e pela vontade de desistir, ou então tomado pela indignação e pela vontade de contribuir para que a carnificina cesse.

É aceitável que alguém - enquanto se fala em salvar o planeta, em romper com o sedentarismo, em erradicar a corrupção, em fluir o trânsito - desista da bicicleta como meio de transporte? Pois se faltam investimentos em infraestrutura para a segurança ciclística, se inexistem programas educativos para o compartilhamento viário e se os culpados saem após pagar um trocado de fiança,  não é isto que o poder público está estimulando? Se as ruas são feitas de ringue, se o conforto individual é mais valorizado do que o bem-estar social e se a voz do eleitor só se eleva para pedir mais viadutos, não é isto que os carrófilos estão estimulando?

Pois a opinião pública e os meios privados que a manipulam, tende a aceitar mais facilmente a diminuição de ciclistas nas ruas, quando receosos estes ficam de arriscar seus ossos, do que os protestos em via pública e demais manifestações de ciclistas, quando estes indignados ficam com a condição desigual que lhes é imposta.

Nem todo ciclista que continuar pedalando - alguns por necessidade, outros por influência -, mas nenhum ciclista quer morrer em consequência da violência viária. É por isso que muitos ciclistas que desejam continuar pedalando também não aceitam se colocar no lugar da causa da violência viária e não admitem dizer "poderia ser eu ali dirigindo": menos pessoas dirigindo é uma das condições sine qua non para a segurança viária e para a qualidade de vida nas cidades. Poucos são os motoristas e menos ainda são os gestores públicos que aceitam essa redução, o que leva os ciclistas a pensar: ou eu passo a frequentar as bicicletadas e outras ações coletivas, ou continuarei a frequentar velórios - talvez, inclusive, o meu!

(Autor: Soares. André Geraldo. Revista Bicicleta. Ano 02 - nº 16 - Abril 2012, pág. 34)

domingo, 29 de abril de 2012

MINHAS PALAVRAS MAS BASEADAS EM OPINIÕES DE OUTROS

Faz um tempo que não escrevo. Mas hoje me deu vontade de falar sobre um assunto que muito me perturba. É o preconceito social que se interliga com o racial. Sou filho de negro com muita honra, neto de outro negro que era líder comunitário, estivador e menestrel (Manoel José Cândido Duarte-avô paterno), minha mãe é branca filha de uma aborígene do \Pará, com Português (Sigismundo Ferreira da Silva-avô materno). Tenho um pai que com muita honra sofreu durante a gestação da minha mãe que me veio dar a luz, uma das trágicas eras políticas do Brasil "Os Tempos de Chumbo" a triste "Ditadura Militar", tempos difíceis que se você fosse ou participasse de qualquer ordem associativa ou sindical, eras considerado um subversor, um "comunista". Meu pai era do Sindicato dos "MÚSICOS" a sua única arma era o seu instrumento musical. mesmo assim foi perseguido e preso. Hoje com seus 83 anos de vida conta ainda com toda maestria tudo que passou, amigos que desaparecerão e amigos que se diziam amigos, eram os ditos delatores do regime militar. Porque relato tudo isto!

Veremos agora.

Ando de bicicleta quase todos os dias. Vou trabalhar de bicicleta, estudar, fazer minhas compras, me divertir, quase tudo de bicicleta. Por ser de pele negra, não andar com uma bicicleta "top de linha", nem com roupas de ciclistas (não gosto, sou magro demais), não ter posses (mesmo assim tinha que ser reconhecido pelo povo e não seria um respeito natural e sim obrigatório para não ser recebido com represarias, como tipo: NÃO ELE É FILHO DE UM GRANDÃO AI  e coisas parecidas) e gostar de obedecer as leis de trânsito, eu  e muitos sofremos todos os tipos de preconceito. Mas o que eu vou falar são dos preconceitos: racial e o social. Não moro em favela, mas respeito muito os que moram nelas. Moro em uma rua de classe média, hoje bastante movimentada. mas por ser negro e andar de bicicleta sou considerado por muitos e até denunciado por uma certa mulher que não erei adentrar em detalhe (nome e onde mora, eu poderia denuncia-la) fui denunciado como assaltante e quando cheguei no meu antigo endereço de trabalho uma viatura me parou e averiguado, como eu estava e sempre estou tranquilo e sigo este provérbio: "QUEM NÃO DEVE NÃO TEME"estou eu a mostrar ao oficial o local onde trabalho: o oficial com bastante respeito para mim: "fizeram uma denúncia agora a pouco que um rapaz trajando vestes assim e com uma bicicleta como a sua vem andando por estes locais", eu calmamente falei: "Senhor: onde agora nos encontramos, em uma esquina do seu lado esquerdo se encontra uma galeria, é onde eu trabalho e que, de segunda-feira a sexta-feira e alguns finais de semana venho sempre. Aqui está a minha agenda onde o senhor vê o endereço que é esta rua e o número do local. Trabalho com um advogado. O trajeto que o senhor me relatou! Realmente o faço todos os dias neste mesmo horários entre 05:00 horas da manhã e 06:00 horas da manhã. Como o senhor pode ver eu faço um "U' saio da rua onde mora a mais de quarenta anos, entro na Avenida Caxangá, sigo subindo no sentido subúrbio e entro nesta rua. O policial olho para mim, logo após olhou para o policial que já ia saindo do carro para fazer uma abordagem mais severa e falou, pode deixar (ele voltou a bater a porta da viatura). Tudo bem. um bom dia". Este, meus amigos um de muitos que já sofri, este foi o mais leve e cordial o outros foram desgastantes e humilhantes. Mas infelizmente continuo vendo cenas chatas, degradantes e horríveis, não só comigo como outros ciclistas de bicicletas humildes, de ciclistas de vestimentas humildes, trabalhadores ou até mesmo ciclistas por obrigação como não tem dinheiro para pagar um coletivo, vai pedalando e quando ele passa em uma rua qualquer que os vejam, olham com um rosto de espanto, desesperadamente pedem para abrir um portão porque...porque é um assaltante, um meliante, um malfeitor que vem ali, e nem sabe eles que também são vítimas de malfeitores, que são agredidos por malfeitores e até também por "benfeitores" que disseram!!! Que ele era um assaltante. Isso pode?! Pode! Isso acontece??? Acontece e muito e aconteceu a uma semana novamente comigo. O nosso problema não é só RACIAL é também SOCIAL.

Amanhã ou na terça, estarei publicando a nova enquete MOBILIDADE - DA REVISTA BICICLETA.

Uma ótima noite.

Grande abraço

Ps.: não sou escritor, nem tampouco jornalista (dar para se notar) então me desculpem os erros de português e concordância verbal, nominal e etc.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

MOBILIDADE - GOVERNOS, salvem-se da humilhação

[Está ficando cada vez mais feio, vergonhoso, obsceno e desonroso, para quem está sentado em uma cadeira pública, desprezar a bicicleta.]




A presença das bicicletas está sendo cada vez mais percebida nas ruas, o que não deriva diretamente do aumento da sua quantidade, já que nas cidades onde isto ocorre ainda é um movimento lento e sufocando pela frota de motorizados que cresce em maior proporção. Essa percepção deriva do crescimento da atuação de ciclistas organizados, os quais são cada vez mais vistos em bicicletadas e outras intervenções nas vias públicas, incluindo os cada vez mais frequentes atos públicos de homenagem a ciclistas vitimados no trânsito, participando nos poucos espaços públicos democráticos disponíveis e manifestados-se nas redes de relacionamento na internet.


Tal exposição pública força o seu acompanhamento pelos meios de comunicação de massa, que ao divulgarem as atividades, propagam não só o meio de transporte, mas o estilo de vida que a bicicleta simboliza. tal estilo de vida não é imposto como produto de consumo nem vazio de sentido, ele possui significado comunitário, econômico e ambiental inquestionável a ponto dos argumentos contrários à sua adoção necessitarem assumir o egoísmo e o afinco aos privilégios, o que é feito às vezes com soberba e grosseria.


A bicicleta é simpática, alegre, livre, útil, benéfica, limpa, cativante. E não é só isso: ela é uma das soluções para um dos maiores problemas sentidos por quem vive em médias e grandes cidades. E quem está dizendo isso não são, por invenção local, os cicloativistas coloniais, mas os governantes e habitantes das cidades reputadas como as mais desenvolvidas do mundo. E a bicicleta não atingiu esse status por pressão do mercado, mas por questões óbvias: ela é gritantemente mais generalizável do que o automóvel.


Assim sendo, Está ficando cada vez mais feio, vergonhoso, obsceno e desonroso, para quem está sentado em uma cadeira pública, desprezar a bicicleta (bem como os pedestres, os cadeirantes e o transporte coletivo). Construir ou reformar uma via pública movimentada sem instalar estruturas de segurança para ciclistas, convenhamos, não é apenas um esquecimento, é uma irracionalidade; rabiscar qualquer faixinha estreita e duvidosa à beira de uma rodovia, chamando isso de "ciclovia", admitamos, não é um ato passível apenas de queixa nos jornais, mais deveria ser de cassação do registro no CREA do seu responsável técnico; planejar uma cidade, seja seu ordenamento urbano a longo prazo ou seu orçamento plurianual, sem providências para a inclusão gradual da mobilidade de ciclística, reconheçamos, não evidencia incapacidade administrativa, mas negação do direito à cidade; um quarto do século após o final da ditadura, tratar como baderneiros os cidadãos que têm como último recurso o protesto na via pública, denunciemos, não é incompreensão política, é uma afronta à democracia; construir mais viadutos e as vias expressas para a insaciável fome de espaço dos carros, acusemos, constituir-se não em uma medida convencional, mas em uma subserviência escandalosa ao poder das elites o bom senso, desiludamo-nos, não prova a mentalidade atrasada dos sucessivos governos, mas que o dinheiro para a próxima campanha eleitoral fala mais alto do que qualquer compromisso social.


Esta cada vez mais difícil enganar a população - pelo menos aquela parte que busca meios de escapar da alienação. Notícias, exemplos de sucesso e opiniões diversas são manifestadas pela ampla rede mundial, instruindo a opinião pública sobre direitos sociais e pondo em xeque as verdades fabricadas pela imprensa privada, que não entende senão aos seus anunciantes, no cume dos quais estão os empreendimentos da cadeia produtiva automobilística.


A persistência dos governos constituídos nesse modelo excludente já não é mais tolerável, mas - nosso conhecimento da sociedade não nos permite pensar diferente - ainda cobrará muito sangue e despejará muita fumaça até iniciar uma conversão para a sustentabilidade. A condição para essa transformação é só uma: o crescimento de uma organização social competente e crítica para desmascarar o papel humilhante cumprido pelos mandatários eleitos.


Trata-se de uma tarefa de longo prazo não só porque a questão de mobilidade é complexa e envolve muitos interesses, mas porque a transformação desse setor está na dependência da transformação profunda nas estruturas do exercício do poder e da reconvenção das funções do Estado, que hoje passa de um guardião do lucro das corporações econômicas. Tal tarefa é digna e ao alcance do significado social das bicicletas e sábios serão os governos que aproveitarem-na para salvarem suas reputações.


(autor: André Geraldo Soares - Revista Bicicleta - Ano 02 - nº 15 - Março de 2012, p. 20.)

terça-feira, 17 de abril de 2012

MOBILIDADE - Do caos à gênese do otimismo

Esta matéria é a primeira de muitas que virão. Tenho a agradecer aos Editores da Revista Bicicleta que me foi concedido a publicação desta matéria mensal (autor: André Geraldo Soares - Revista Bicicleta - Ano 02 - nº 14 - Fevereiro de 2012, p. 38.

O ano de 2012 já começa com duas boas notícias para os ciclistas: o parlamento da União Europeia votou favoravelmente à ampliação da EuroVelo, a rede europeia de ciclovias, para 700.000 km; e a Alemanha construirá, ainda nesse ano, com 60 km de extensão, a primeira de sua projetada rede de autoestradas com quatro pistas exclusivas para ciclistas. Obviamente que o calibre dessas medidas não tem ainda lugar no solo tupiniquim.

Examinemos a história recente da administração pública brasileira para verificar se existem fatos que podem nos conceder o prazer do otimismo: qual cidade está sendo contemplada com um plano de desenvolvimento ciclístico a curto médio e longo prazo? Qual prefeitura instituiu qualquer meta mensurável de acréscimo da participação da bicicleta na mobilidade urbana para a próxima década? Qual conselho Municipal de Transporte (ou similar, onde ousa existir) delibera sobre a bicicleta no trânsito? Quais programas de incentivo, de forma continuada, foram implementados em nível estadual ou federal? Qual é a qualidade das vias ciclísticas recentemente construídas? Ou seja, onde e quanto as coisas realmente têm melhorado?

Em se tratando de mobilidade urbana, o que se entende por "melhoramento" está sempre ligado à expansão da infraestrutura para os veículos motorizados individuais. Melhoramento via´rio significa para os planejadores urbanos e técnicos de obras públicas, aumentar a capacidade de tráfego de carros com viadutos e duplicações - e se algum minguado canteiro de flores é acrescentado, a intervenção ganha o pomposo nome de "humanização". Entretanto, toda vez que se melhoras o trânsito de carros, temos duas invariáveis consequências.

A consequência imediata é a piora da vida dos ciclistas, pedestres e cadeirantes. Fica mais demorado e perigoso atravessar uma rua que se torna mais larga e na qual a velocidade regulamentada - e desobedecida - torna-se maior; com o fluxo e a velocidade, as raras faixas de travessia de pedestres viram enfeites na pista; os pontos de ônibus, quando não são eliminados, são deslocados para mais longe; passarelas para pedestres, quando construídas, são espaçadas e requerem uma escalada equivalente a um prédio de dois andares.

E a consequência posterior, geralmente em curto prazo, é a re-saturação do trânsito, mantendo ou ampliando o congestionamento e a poluição. O que ocorre, sem que os planejadores urbanos o admitam, é que todo melhoramento é sempre paliativo e provisório, deslocando o ponto de estrangulamento para mais adiante, e que a oferta de novas vias estimula o cidadão a comprar um carro, seja para fugir do - propositalmente? - precário transporte público, seja porque caminhar e pedalar por ali tornou-se impeditivo.

O melhoramento viário e o tecido urbano, arruína ecossistema e paisagens naturais e ignora quem se locomove ativamente. Quanto mais elogiosas são as manchetes  jornalísticas, mais nocivo o trânsito se torna para os seus elementos mais vulneráveis, mais para longe se expulsa a tranquilidade, mais se avança na contramão da sustentabilidade e da democracia.

Agora é preciso distinguir entre a análise e a ação. A análise da situação e das perspectivas precisa ser realista, sem ser contaminada por ilusões otimistas ou por torpores pessimistas de quem conduz. Dito isto, é preciso admitir que o quadro da mobilidade urbana no Brasil e da inclusão ciclística é ruim e as expectativas não são promissoras: a mentalidade administrativa prioriza o desenvolvimento econômico e a vontade popular é dominada pela busca do conforto individual.

Uma perspectiva pessimista só pode ser arredada se encontrarmos indícios de uma reação social, uma reação crescente em quantidade - a transformação dos isolados ativistas em massa - e em qualidade - atividades organizadas, campanhas eficientes, pressão política etc. Agora sim, podemos encontrar apoio para o otimismo: não obstante o desânimo dos movimentos sociais brasileiros na última década, e apesar do avanço ainda acelerado do desenvolvimento capitalista-tecnocrático, observamos muitos jovens encontrando sentido para agir socialmente naquilo onde são afetados.

Tornando caótica a vida de quem vive na cidade, os gestores públicos (que, sabemos, estão a serviço do privado) provocam tensões inescapáveis, pois ofendem a inteligência e indignam a moral social. Dada a lata de tradição dos brasileiros de buscar participar do planejamento público, ou seja, dada a falta de vontade democrática, é do pior que poderá, por reação, advir o melhor. O caminho é mais longo, os danos serão enormes, mas é com isso que poderemos contar: quanto mais administradores públicos melhoram o sistema viário, pior ficará a mobilidade urbana para todos os cidadãos, e quanto mais grave a situação, melhores se tornam as chances da sociedade iniciar sua oposição.

quarta-feira, 4 de abril de 2012


CICLOVIAS DA REGIÃO METROPOLITANA DO GRANDE RECIFE/PE

Prezados amigos,
Hoje, dia 02 de abril de 2012, começa a minha saga em registrar em vídeo todas as ciclovias (ou é o que parece) do nosso Grande Recife.

O primeiro é este que é a Ciclovia que começa a alguns metros do Viaduto João Paulo II, ela passa por baixo deste. Margeando o Rio Capibaribe e localizada na Avenida Beira Rio. Eu a apelidei de “Ciclovia que Começa no Nada e Termina e Coisa Alguma”, porque este apelido vem a calhar? Esta foi construída em um local chamado triângulo do CCC (as famigeradas de conhecidíssimas Favelas do Coque, Coelhos e Caranguejo), tem menos de um quilometro e quase ninguém trafega por sua localização pouco conhecida e não divulgada, também muito perigosa, a sua paisagem do lado esquerdo para quem vai para o subúrbio se ver um descampado e ladeando este a Favela do Coque, seguindo do seu lado direito a área APP (Áreas de Preservação Permanente) que margeia o Rio Capibaribe, é uma bela paisagem mais não convidativa para ficar parada (o) olhando só se for acompanhada (o) de muitas pessoas, para terminar a ciclovia terminar abruptamente no final da descida da Ponte Gregório Bezerra, esta ciclovia também nos finais de semana, para ser mais preciso nos domingos é totalmente invadida por carros, carrocinhas de (bebidas, cachorros quentes e comidas diversas) e motos, tudo porque ao lado do grande terreno baldio se instala a feira do troca e vendas de veículos em geral, vai de carros, caminhões, caminhonetes e até motos, uma verdadeira baderna, deixando o local imundo, vocês verão que no vídeo se encontra garis trabalhando na limpeza das calçada se é que existe calçada. Por incrível que pareça só vem a acontecer isto porque logo mais adiante sentido subúrbio cidade se encontra o Fórum Des. Rodolfo Aureliano – Av. Desembargador Guerra Barreto, s/nº - Joana Bezerra, porque se este não existisse seria a maior sujeira. Vejam o vídeo postado no You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=OZ79et4gsNY&feature=g-upl&context=G28471f3AUAAAAAAABAA